Na Corte de Madrid pôde conhecer e relacionar-se amigavelmente com Quevedo, contactar com obras e outros grandes autores da época e desempenhar funções militares e diplomáticas ao serviço do monarca espanhol. Em 1640, foi encarregado de reprimir a revolta da Catalunha; no entanto, nesse mesmo ano, a restauração da independência portuguesa fê-lo cair em desgraça. Preso, por razões muito pouco claras, em 1644, ficou encarcerado até ao julgamento e condenado ao degredo no Brasil, para onde partiu em 1655. Desse período de prisão na Torre e no Castelo datam não só grande parte das suas Epístolas Familiares, mas também algumas das suas mais importantes obras doutrinárias, políticas, poéticas. Regressou do Brasil em 1658 e a partir de 1660 tomou parte nas sessões da Academia dos Generosos, com o nome poético de Melodino. Recebeu o perdão formal por carta de D. Afonso VI em 1662 e desempenhou várias funções diplomáticas, não abandonando nunca os seus escritos que o imortalizaram.
Escritor bilingue, pertencente tanto à história da cultura portuguesa como espanhola, foi um representante típico da aristocracia da época e figura cimeira do barroco português. A sua obra estendeu-se pelos mais variados géneros, desde a poesia ao teatro, à história ou à epistolografia. Publicou, em vida, um total de vinte obras, saindo outras postumamente. Editou, já em 1628, um conjunto de sonetos, mas a sua obra poética foi posteriormente reunida no volume Obras Métricas (1665), cujas composições são tipicamente barrocas — quer pelo estilo, influenciado pela obra de Góngora, quer pela temática, destacando-se o motivo do desconcerto do mundo — e que espalham simultaneamente a tradição renascentista e maneirista portuguesa. No teatro, destaca-se o Auto do Fidalgo Aprendiz (anterior a 1646), em parte na linha da comédia vicentina, sátira da fidalguia provinciana. Os seus textos de crítica de costumes («Relógios Falantes», «Escritório Avarento», «Visita das Fontes») e o Hospital das Letras, volume de crítica literária (o primeiro que se conhece em língua portuguesa), constituem os Apólogos Dialogais (edição póstuma de 1721). D. Francisco foi ainda autor de textos moralistas, de que o mais célebre é a «Carta de Guia de Casados», de obras políticas e panfletos polemistas, de um volume de memórias escrito na prisão (Cartas Familiares, 1664) e de uma importante obra historiográfica, que inclui cinco Epanáforas, (1660) sobre temas da história portuguesa e História de los Movimientos y Separación de Cataluña (1645), obra clássica da literatura espanhola. Aristocrata cosmopolita, D. Francisco reflecte tanto o espírito cortês e galante do seu tempo quanto o desassossego do espírito barroco, marcado pela inquietação do desconcerto do mundo que se redime, nele, por vezes, numa dimensão religiosa.
Poesias
Casinha desprezível, mal forrada,
furna lá dentro, mais que inferno escura;
Fresta pequena, grade bem segura;
Porta só para entrar, logo fechada;
Cama que é potro mesa destroncada,
Pulga que, por picar, faz matadura;
Cão só para agourar; rato que fura;
Candeia nem cos dedos atiçada;
Grilhão que vos assusta eternamente,
Negro boçal e mais boçal ratinho,
Que mais vos leva que vos traz da praça;
Sem amor, sem amigo, sem parente,
Quem mais se dói de vós, diz: «Coutadinho».
Tal vida levo. Santo prol me faça.
Domine, tu mihi lavas pedes?
Ousado pescador, que é da tormenta
Nas mansas águas desse breve vaso?
Duvidais vós de entrar, tímido acaso,
Quando que nele entreis o Mestre intenta?
Como, se antes ousada, hoje avarenta
Se mostra a planta, que por longo prazo
O bravo mar frisou, qual campo raso,
Em virtude do braço que a sustenta?
Então lhe obedeceis os pensamentos,
Porque se mostrou Deus, e hoje, vestido
De escravo, duvidais seus mandamentos?!
Pois diz o amor que para obedecido
Mais é que quando aos pés rende elementos,
Quando ele o põe a vossos pés rendido.
Ausência breve, mas custosa
Senhora neste breve apartamento
Bem conheço por mais que à dor resista,
Que sempre o não estar à vossa vista
É sempre estar à vista do tormento.
Qual será pois o louco pensamento
Que deixe tal comércio e tal conquista?
Se há mais ganho na glória, que dais vista,
Que monta o cabedal do sofrimento?
Amor tanto nas penas se melhora,
despois que nelas novos ganhos sente.
Que üa só petição vos faça ordena.
Não sabeis qual! Pois é que se algüa hora
Mais vos pedir, mandeis que viva ausente,
E me aconselhe lá co'a minha pena.
Cada um é fado de si mesmo
Mas adonde irei eu, que este não seja,
Se a causa deste ser levo comigo?
E se eu próprio me perco, e me persigo,
Quem será que me poupe ou que me reja?
Porque me hei-de queixar do Tempo e Inveja,
Se eu a quis mais fiel ou mais amigo?
Fui deixado em mi mesmo por castigo:
Triste serei em quanto em mi me veja.
Esta empresa que em mi tanto em vão tomo,
Esta sorte que em mi seu dano ensaia,
Esta dor que minha Alma em mi cativa.
Vós só podeis mudar. Mas isto como?
Como? - Fazendo que a minha alma saia
De mi, senhora e dentro de vós viva.
Harrah's Resort Atlantic City - jtmhub.com
ReplyDeleteHarrah's Resort Atlantic City. Jambore 대전광역 출장안마 Beach. 목포 출장샵 Beach-side beachfront beachfront, resort beachfront, 공주 출장마사지 beachfront beachfront beachfront, beachfront beachfront 이천 출장샵 beachfront 화성 출장샵