Escrita na Torre Velha e, segundo a datação do autor, terminada a 5 de Março de 1650, a Carta de Guia de Casados é uma obra única no quadro da literatura de temática matrimonial da Época Moderna em Portugal. Ao contrário de outras obras portuguesas que versaram a mesma temática, o sucesso editorial do livro parece confirmar a receptividade à novidade do seu prisma de abordagem - pela ironia, pela graça, pelo tipo de exemplos e pelo modo como são utilizados - deste tema tão frequente na tratadística moral e, mesmo, na literatura ibérica dos séculos XVI e XVII.
De facto, esta longa Carta apresenta múltiplas particularidades que a fazem realmente especial e singular. E que não autorizam leituras lineares ou unívocas, que ignorem o seu contexto literário, cultural e social e, claro, os seus objectivos. Contando com uma bem diversificada produção literária anterior de temática matrimonial - dos tratados morais à poesia, dos debates teológicos à novela, dos «espelhos de casados» à sátira, especialmente no teatro, da infidelidade, do ciúme e, genericamente, dos «mal-casados» -, esta Carta de Guia de Casados pretendeu, ainda assim, ser diferente. E essa diferença, segundo D. Francisco, devia residir numa visão mais prática, mais observadora e, consequentemente, mais útil do estado dos casados. Por isso, este solteiro assumiu escrever mais com base na sua observação da realidade do que na formulação de um modelo de «casamento perfeito» que outros autores haviam feito.
Mas, antes de mais, haverá que reconhecer a perspectiva exclusivamente masculina - assumida, aliás, pelo autor - no tratamento dos múltiplos «avisos» aos casados. D. Francisco, retomando uma fórmula própria do registo epistolar, mas também algo frequente na tratadística matrimonial anterior, dirigiu a Carta a um amigo, fidalgo, recém-casado. E se pôde, deste modo, abster-se da longa enunciação, tão frequente em obras congéneres, das «condições» necessárias para a boa escolha da mulher - ou seja, do debate em torno da escolha da «boa mulher» que tanta tinta fizera correr principalmente a partir das primeiras décadas do século XVI -, também pôde privilegiar, porque falava com uma figura concreta do seu nível social, o ponto de vista do marido e as imagens da vida conjugal e da casa em função da autoridade masculina.
Dirigindo-se, portanto, a um casado nobre, D. Francisco privilegiou o método dos «particulares avisos», das «advertências», propondo-se «guiar» este e outros casados para «saberem levar» a «carga do matrimónio»; ou seja, como explicitou ao escusar-se de tratar da «criação dos filhos», o seu objectivo principal foi «apontar regras à vida dos casados, para que levem suavemente aquele jugo que sobre ambos descansa». E deste modo configurou também o âmbito dos aspectos a tratar - partindo essencialmente das dificuldades e contrariedades do estado matrimonial -, ao mesmo tempo que explicitou a forma de abordagem - recorrendo a conselhos práticos e concretizados no viver doméstico e social - dos múltiplos aspectos e problemas da vida conjugal e familiar. E mesmo começando a obra com alguns conselhos genéricos, presentes de um modo geral na vasta tratadística anterior sobre o tema, preferiu uma exposição aparentemente menos sistemática - por isso fez um texto corrido, sem divisões formais, como potenciava, aliás, o género epistolográfico -, sem, contudo, excluir qualquer aspecto, por mais insignificante que pudesse parecer, respeitante à vida conjugal, às minúcias do quotidiano, ao governo da casa e ao comportamento social dos casados.
De facto - excluindo o tema, tão em voga nas obras da mesma área temática, da criação e educação dos filhos, por o autorizar, ou até o requerer, esta «carta» -, nada que, de algum modo, tivesse a ver com o comportamento mútuo, moral e social dos casados foi esquecido ou ignorado por D. Francisco: desde a diferenciação entre amor e amores, passando pela apreciação dos diversos tipos de mulheres e das vantagens do casamento com mulher jovem, pela complexidade das relações com os criados e sua importância para a «paz» e boa fama das casas, pelas «graças», diversões e devoções das casadas, pela discussão de usos e modas várias, pelo comportamento dos casados no Paço, pelas complicadas regras e teias do governo da casa, pela discrição e cautela no contar de confidências ou segredos à mulher, pelo tratamento do tema dos ciúmes, pela valorização da fidelidade (feminina e masculina) para o equilíbrio da casa, pelos inconvenientes das demasiadas saídas e viagens dos maridos, até à discussão em torno das vantagens e desvantagens do casamento por amor, dos usos do casamento por conveniência e da importância do respeito pelas inclinações dos filhos aquando da decisão do casamento...
E todos esses aspectos foram sempre enquadrados, simultaneamente, em referentes teóricos e no viver quotidiano (doméstico, familiar, cortesão e social), apresentando ou pressupondo um modo ideal de viver e conviver com a mulher e com os servidores, mas tendo o cuidado de os visualizar no quadro das práticas e usos (nem sempre modelares...) do seu tempo ou de tempos passados que pôde testemunhar directamente ou através de histórias que correram. E por isso os episódios vividos, os ditos e sentenças - tradutores tantas vezes de modos concretos de representação social -, as histórias e anedotas várias de que esta Carta está ricamente recheada são um suporte essencial não só do estilo mas também da riqueza documental da obra.
Carta de Guia dos Casados
(...) Uma das coisas que mais assegurar podem a futura felicidade de casados é a proporção do casamento. A desigualdade no sangue, nas idades, na fazenda, causa contradição; a contradição, discórdia. E eis aqui os trabalhos por onde vêm. Perde-se a paz, e a vida é inferno.
Para satisfação dos pais convém muito a proporção do sangue para o proveito dos filhos, a da fazenda, para o gosto dos casados, a das idades. Não porém que seja preciso uma conformidade, de dia por dia, entre o marido, e mulher; mas que não seja excessiva a vantagem de um a outro. Deve ser esta vantagem, quando a haja, sempre a parte do marido, em tudo à mulher superior. E quando em tudo sejam iguais, essa é a suma felicidade do casamento.
Dizia um nosso grande cortesão, havia três castas de casamento no mundo: casamento de Deus, casamento do diabo, casamento da morte. De Deus, o do mancebo com a moça. Do diabo, o da velha com o mancebo. Da morte, o da moça com o velho.
Ele certo tinha razão porque os casados moços podem viver com alegria, as velhas casadas com moços vivem em perpétua discórdia; os velhos casados com as moças apressam a morte, ora pelas desconfianças, ora pelas demasias.
Mas porque estas coisas são muito gerais, e ainda os incapazes têm delas conhecimento que aos entendidos lhes sobeja, é tempo de passar a alguns mais particulares avisos.
Senhor, saiba V. M.cê que à sua alma se acrescenta outra alma de novo; à sua obrigação se junta outra obrigação. Assim devem crescer seus cuidados, e seus respeitos. E da mesma sorte que, se a um homem que possuísse uma herdade, a qual cultivasse, lhe fosse deixada outra de novo, para o mesmo efeito este tal homem, sem diminuir em sua alegria, era força que na diligência se avantajasse, por abranger com seu trabalho a ambas aquelas suas fazendas; nem mais nem menos deve o casado multiplicar o tento, e a fadiga (sem que por isso se entristeça), por não faltar ao novo cargo que tomou, e lhe entregaram, com a mulher que lhe deram; não para que a arriscasse, e perdesse (e a si mesmo com ela), mas para que com maior cómodo e descanso pudesse passar com ela a vida.
(...) Provemos a ver se será possível dar alguma regra ao amor; ao amor, que soe ser a principal causa de fazer os casados mal-casados, umas vezes porque falta, e outras porque sobeja. Armemos-lhe, se quer, as redes; caia ele se quiser; e o mais certo será que voe, e fuja delas, porque quiçá por isso o pintaram com asas.
Ame-se a mulher, mas de tal sorte que se não perca por ela seu marido. Aquele amor cego fique para as damas, e para as mulheres o amor com vista. Ou cure os olhos que tem, ou os peça emprestados ao entendimento desses que lhe sobejam. (...)
Saiba-se, e tema-se, que também há Narcisos do amor alheio, como de seu próprio.
(...) Há alguns, Senhor N., de tão pouco juízo, que fazem ostentação de seu próprio cativeiro. Igual afronta é a um casado saber-se que o manda a sua mulher, que saber-se é ela de seu marido escrava, e não companheira.
Este foro, esta prerrogativa, de que cada um é bem que use, logo ao princípio convém que se concerte. O marido tenha as vezes de Sol em sua casa, a mulher, as da Lua. Alumie com a luz que ele lhe der, e tenha também alguma claridade. A ele sustente o poder, a ela a estimação. Ela teme a ele, e ele faça que todos a temam a ela, serão ambos obedecidos.
Dissera eu que as mulheres são como as pedras preciosas, cujo valor cresce, ou mingua, segundo a estimação que delas fazemos.
(...)
Houve quem duvidasse se podia ser perfeito o amor entre aqueles que por conveniências e por concertos se casaram, entendendo que esta perfeição de querer só se guardava para os que casavam por amores. (...)
De uma e de outra coisa não faltam bons e maus exemplos; mas eu, que sou mais martelado da razão que do caso, direi com alguma novidade o que se me oferece.
Persuado-me, Senhor N., que esta coisa a que o mundo chama amor, não é só uma coisa, porém muitas com um próprio nome. Poderá bem ser que por isto os antigos fingissem haver tantos amores no mundo, a que davam diversos nascimentos; e também pode ser venha daqui, que ao que chamamos amores; pois, se ele fora um só, grande impropriedade fora esta.
Eu considero dois amores entre a gente: o primeiro é aquele comum afecto com que, sem mais causa que a sua própria violência, nos movemos a amar, não sabendo o que, nem o por que amamos; o segundo é aquele com que prosseguimos em amar o que tratamos e conhecemos. O primeiro acaba na posse do que se desejou; o segundo começa nela, mas de tal sorte, que nem sempre o primeiro engendra o segundo nem sempre o segundo procede do primeiro.
De onde infiro que o amor que se produz do trato, familiaridade e fé dos casados, para ser seguro e excelente, em nada depende do outro amor que se produziu do desejo do apetite, e desordem dos que se amaram antes desconcertadamente; a que, não sem erro, chamamos amores, que a muitos mais empeçaram que aproveitaram.
Parecerá dificultoso o considerar como à pessoa que não havemos visto poderemos amar com perfeição. Larga é a disputa, e não daqui. Digo eu que façamos, Senhor N., neste caso, como os que cortam madeira e a lançam ao rio, para que sua corrente lha leve (sem algum trabalho) ao porto. Eles não sabem por onde vai sua mercadoria, mas basta-lhes saber que ela chega a salvamento, por outras que já tem chegado, para que lha entreguem às águas com muita confiança.
Deixe-se levar o casado do poder daquele virtuoso costume; não lute nem forceje com a corrente, que quando menos o espere (e sem saber como aquilo foi) ele se achará amando a salvamento a sua mulher, e sendo dela muito seguramente amado.
Dê-se-lhe a entender à mulher que a coisa que mais deve querer é a seu marido. Tenha o marido para si que a coisa que mais deve querer é sua honra, e logo sua mulher.
(...) Seja a mulher honrada, como dizem que é o Corpo Santo, que não aparece senão nas grandes tempestades, e sempre para remédio delas. Acuda aos males de sua casa, aos trabalhos de seu marido, e de seus filhos (...)
(...)
Há umas mulheres ídolos, que ou são inutilíssimas, ou se prezam de o ser; e só lhes parece que nasceram para ser adoradas, e disso só querem servir. Ora eu me contento com que não façam mais de um serviço em suas casas, e seja este: sirva a molher de ser senhora de sua casa, satisfaça as obrigações deste seu ofício; que assaz fará de serviço à sua casa, a seu marido, se o fizer como deve.
Como o tomará V. M. se disser mal das varonis. Ó Senhor N., eu me fundo em razão. Se eu tivesse por certo que o grande coração da mulher se houvesse sempre de ocupar bem, bem lho sofrera; mas, em dúvida, tenham medo de um rato, desmaiem-se em vendo espada nua, um trovão seja para elas um dia de juízo. Criou-as Deus fracas, sejam fracas; oxalá façam o que são obrigadas; não lhes quero pedir mais que sua obrigação.
Já sei que desta vez ficarão de todo mal todas comigo. Não quisera discorrer pelo seu entendimento...mas pois me atrevi a oferecer preceitos sobre o amor, que é ainda afecto mais livre, não temo já de os dar para o entender.
Hei-de estranhar por força um dito de aquele nosso tão nomeado, e tanto para nomear, Bispo D. Afonso, que dizia: «A mulher que mais sabe, não passa de saber arrumar uma arca de roupa branca»; nem sentirei melhor do outro que afirmava: «Que a mais sabida mulher, sabia como duas mulheres».
Sou de muito diferente opinião, e creio certo há muitas de grande juízo; vi, e tratei algumas em Espanha, e fora dela. Por isto mesmo me parece que aquela sua agilidade no perceber e discorrer, em que nos fazem vantagens, é necessário temperá-la com grande cautela.
A este seu juízo não se pode pôr lei alguma; aos exercícios si. Como se agora a um homem fosse dada uma navalha de finíssimo aço, para que fizesse um feito ruim; mas estando ela ainda em tosco, aquele que lhe escondesse a pedra em que a queria afiar, fizera o mesmo que se lha tirasse da mão, e escusasse o malefício. Assim, pois nos não é lícito privarmos as mulheres do subtilíssimo metal de entendimento, com que as forjou a natureza; podemos se quer, desviar-lhe as ocasiões de que o agucem em seu perigo e nosso dano. Façamos, Senhor N., o que podemos.
Nos cuidados e empregos dos homens, não se metam as mulheres, fiadas em que também têm como nós entendimento, e em que a alma não é macho nem fêmea, como alguma em seu favor alegava. Mas saibam os maridos, que nem por esta taixa que lhes ponho, é justo que a mulher sisuda deixe de dar a seu marido modestamente seu parecer, nem deixa ele de ser obrigado a lho pedir.
(...) Seja a mulher como a mão do relógio, e o marido seja o relógio. Aponte ela, e soe ele. Um mostre, outro resolva; que andando desta maneira temperado o relógio, todos o crêem, todos o têm por oráculo. Não só se concerta a si mesmo, mas faz andar aos outros concertados; e ao contrário, se se desconcerta, também aos outros.
Ó, como folgo de ver uma mulher ignorar aquilo que não é razão saber... Acho grande perfeição quando erram aquelas coisas que lhe podiam pôr imperfeição, se as acertassem.
Entenda a mulher como mulher; seja tal sua lição quando ler, sua prática quando praticar; e tal o mesmo que se lhe ler, e que se lhe praticar.
Pois comecei com os meus adágios, hei-de acabar com eles. Ouvi um dia, caminhando, e não era ele menos que a um chapado recoveiro, (veja V. M. que enjeitei os filósofos, para citar estes autores), em fim ouvi-lhe, que Deus o guardasse de mula que faz him, e de mulher que sabe latim. O riso e gosto com que lhe escutei esta engraçada sentença me faz agora lembrar dela; não se julgue por indecente, se é proveitosa. O ponto está em que o latim não é o que dana, mas o que consigo traz de outros saberetes envolto aquele saber.
Tomara que as mulheres não soubessem de guerras, nem estados, nem procurassem por isso. Enfadam-me umas que se metem em eleições de governos, julgar de brigas, praticar desafios, mover demandas: outras que se prezam de entender versos, abocanham em linguagens alheias, tratam questões de amor e de fineza, decoram perguntas para gentes discretas, trazem memorial de motes dificultosos:....umas que examinam pregações, que lhes tomam palavras; outras que as usam esquisitas, e falam por circunlóquios, que tem modos de gabar fora do uso, que praticam ao som do meneio das mãos, ou do movimento dos olhos. Fora, fora tudo isto, que parece ficção e nem verdadeiro; nem fingido é bem que seja. Não me tenha V. M. por mal dizente; mais vale que prolixo; mas em verdade que tudo o que aponto é digno de ser lembrado.
(...) Falar sempre, é mau; rijo, é malíssimo; e em lugares indecentes, pior que tudo. Acontece que muitas que se prezam de discretas, respondem alto nas igrejas, para que as ouçam e aplaudam; entendem com as amigas, que lhe ficam longe, a fim de serem ouvidas. Também o suspirar à pregação, fazer gestos com a cabeça, como que lhe contenta o que se disse, rezar desentoado, compassar a musica, são coisas que não haverão de ser.
Fale a mulher discreta o necessário, brando, a tempo, com tom que baste para ser ouvida da pessoa a quem fala, e não das outras. Comparou bem um entendido as pessoas com os sinos, que pela voz se conhece se estão sãos, ou quebrados. Escuso de mostrar como as palavras informam do ânimo; porque assim como pelo correio que vem de tal parte, sabemos as novas que lá vão, assim pelas palavras que vem do juizo, sabemos o que lá vai. (...)
Ora do riso, que diremos? Pois se elas têm bons dentes, e aquilo que chamam graça na boca, e cova na face, aí lhe digo eu a V. M. que está o perigo. Há mulher destas que rirá a todo o sermão da Paixão, como se fosse ao de dia de Páscoa, somente por assoalhar aquele seu tesouro. Não disse Platão, nem Séneca, coisa melhor que o disseram as nossas velhas: «Muito riso, pouco siso».
Longe estou de persuadir à mulher que seja melancólica; porque antes a sempre triste induz pouca satisfação de sua vida. Alegre-se e ria-se em sua casa, à sua mesa, e na conversação de seu marido, filhos, e familiares; deixe o riso em casa, quando fôr fora, a modo da serpente que vomita a peçonha primeiro que vá beber, e depois que bebe, torna outra vez a recolher a sua peçonha. Venha para casa, e tome a sua boa graça.
Ainda fico com escrúpulo sobre a lição em que muitas se ocupam. O melhor livro é a almofada e o bastidor; mas nem por isso lhe negarei o exercício deles. Estas que sempre querem ler comédias, e que sabem romances delas de cor, e os dizem às vezes entoados, não gabo. Outras são mortas por livros de novelas, tais pelos de cavalarias. Aqui é mais perigosa a afeição que o uso. Bem vejo que se lhes pode permitir este desenfado; mas seja com maior cautela a aquelas que excessivamente se lhe entregarem, visto que podemos temer se ama nele antes a semelhança dos pensamentos que a variedade da lição.
Conclusão
(... ) Senhor meu. Casa limpa. Mesa asseada. Prato honesto. Servir quedo. Criados bons. Um que os mande. Paga certa. Escravos poucos. Coche a ponto. Cavalo gordo. Prata muita. Ouro o menos. Jóias que se não peçam. Dinheiro o que se possa. Alfaias todas. Armações muitas. Pinturas as melhores. Livros alguns. Armas que não faltem. Casas próprias. Quinta pequena. Missa em casa. Esmola sempre. Poucos vizinhos. Filhos sem mimo. Ordem em tudo. Mulher honrada. Marido cristão; é boa vida e boa morte.
Torre Velha, em 5 de Março de 1650.
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